A resposta curta é que depende da região, e quase nunca é ela que resolve o problema de quem pergunta. Quem pergunta quer o preço, e o preço sai de uma conta de uma linha: o valor do hectare de terra nua na região vezes o fator do alqueire usado ali. Na referência de dezembro de 2024 do levantamento do INCRA, a mediana do hectare em Santa Catarina era de R$ 79.243 — o que dá R$ 191.768 no alqueire paulista e R$ 383.536 no mineiro, pela mesma terra, no mesmo estado, no mesmo dia. Saber qual dos dois números é o seu é o que esta página resolve primeiro.

As quatro medidas que se chamam alqueire

O alqueire é a medida que mais confunde negociação de terra no Brasil, e a razão é histórica: a palavra não nasceu descrevendo área. Alqueire era a cesta usada para transportar grão, e a terra passou a ser medida pelo tanto de semente que cabia nela. Como a cesta mudava de tamanho conforme a região, a área mudou junto — e o nome ficou.

Tipo de alqueireEquivale aOnde se usa
Alqueire paulista24.200 m² (2,42 ha)São Paulo, Paraná e boa parte do Sul
Alqueire mineiro (geométrico)48.400 m² (4,84 ha)Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro
Alqueire do norte / fluminense27.225 m² (2,72 ha)Norte fluminense e parte do Norte
Alqueire baiano (alqueirão)96.800 m² (9,68 ha)Bahia e parte do Nordeste

Repare no que a tabela faz com o preço. Se alguém oferece uma área por um valor "por alqueire" e você imagina o alqueire paulista enquanto ele fala do mineiro, você está comparando 2,42 hectares com 4,84 — o dobro de terra pelo mesmo número. Não é detalhe de cartório: é a diferença entre um negócio bom e um negócio que você não entendeu.

Quantos metros tem um alqueire?

Um alqueire tem 24.200 m² (2,42 ha) se for o paulista, 27.225 m² (2,72 ha) se for o do norte, 48.400 m² (4,84 ha) se for o mineiro e 96.800 m² (9,68 ha) se for o baiano. A palavra é a mesma e a área muda até quatro vezes — por isso a primeira pergunta de qualquer negociação é qual alqueire está na conversa.

Quadrados em escala comparando os alqueires com o hectare: paulista 2,42 ha, mineiro 4,84 ha e baiano 9,68 ha, contra 1 hectare de 10.000 m²
Um alqueire paulista tem 24.200 m² (2,42 ha); o mineiro, 48.400 m² (4,84 ha); o baiano, 96.800 m² (9,68 ha). Um hectare tem 10.000 m². Arte: Agrotec Imobiliária.

A conversão para metro quadrado resolve outra confusão comum: alqueire não tem fração padronizada. Meio alqueire em São Paulo são 12.100 m²; em Minas, 24.200 m² — exatamente um alqueire paulista inteiro. Quando a conversa muda de estado, refaça a conta a partir do metro quadrado da tabela acima, nunca a partir da fração.

Qual o preço do alqueire paulista?

O alqueire paulista tem 24.200 m², ou 2,42 hectares: o preço dele é o preço do hectare da região multiplicado por 2,42. Na referência de dezembro de 2024 do levantamento do INCRA, a mediana do hectare de terra nua em São Paulo era de R$ 72.908, o que dá R$ 176.437 pelo alqueire paulista. Em Santa Catarina, com mediana de R$ 79.243, a mesma conta dá R$ 191.768. No Paraná, onde a conversa é em alqueire paulista, o preço do hectare e do alqueire nos 399 municípios sai da tabela anual da Deral, em página própria.

Mapa do Brasil com Santa Catarina em destaque: o alqueire paulista de terra nua sai por R$ 191.768 pela mediana do hectare (INCRA, dezembro de 2024)
Pela mediana do INCRA para Santa Catarina, R$ 79.243 por hectare, um alqueire paulista (2,42 ha) de terra nua sai por R$ 191.768. Referência de dezembro de 2024. Arte: Agrotec Imobiliária.

Vale aqui a mesma ressalva do resto da página: essa mediana é referência de terra nua para o estado inteiro, não o preço de um imóvel específico. Solo, água, acesso, benfeitoria e documentação movem o valor real para cima ou para baixo — e a conta por alqueire só fica honesta depois de convertida em hectare.

Saber quanto vale é o começo. Encontrar quem venda pelo preço justo é o nosso trabalho.

A conta desta página dá a referência: o fator do seu alqueire vezes o preço do hectare da região. O difícil vem depois — achar a área certa e quem venda pelo preço que a conta sustenta. A Agrotec é especialista em terra — sítio, chácara, fazenda, gleba, terreno, área rural, do hectare ao alqueire — e faz busca dedicada nos 27 estados, com a documentação conferida antes de qualquer visita. CRECI 11054-J.

Por que a resposta honesta é em hectare

O hectare tem uma vantagem que o alqueire não tem: ele vale 10.000 m² em qualquer lugar do país, e é a unidade em que os levantamentos oficiais publicam preço. É por isso que toda avaliação séria converte para hectare antes de comparar, e é por isso que esta página faz o mesmo. Converter é simples: divida a área em metros quadrados por 10.000, ou multiplique o número de alqueires pelo fator da sua região na tabela acima.

Feita a conversão, o preço deixa de depender de vocabulário e passa a depender do que realmente decide: onde a terra está, o que ela produz, se tem água, como se chega até ela e se a documentação está em ordem.

Quanto vale o hectare, estado por estado

O levantamento do INCRA publica o valor de terra nua — só o solo, sem benfeitoria, sem lavoura plantada, sem casa — pela mediana dos municípios de cada estado. Na referência de dezembro de 2024 do INCRA, essa mediana ia de R$ 1.676 no Piauí a R$ 100.436 no Paraná. É a maior distância que existe no assunto: a mesma palavra "hectare" separa dois números que diferem em mais de vinte vezes.

Esse número não é uma tabela de preço de venda, e usá-lo assim é o erro mais comum de quem pesquisa sozinho. Ele é uma referência de mercado do solo, coletada para fins fiscais e de reforma agrária. Serve para saber se uma proposta está na vizinhança do razoável; não serve para fechar negócio. O mapa completo, com os 27 estados e o detalhe por município onde ele existe, está em quanto custa o hectare de terra no Brasil.

Estado inteiro ainda é uma média grossa, e em Santa Catarina dá para descer um nível: a Epagri mede os 295 municípios catarinenses, um a um, todo ano desde 2009, em sete classes de terra. Quem procura área no estado encontra quanto vale o hectare em Santa Catarina, município por município — e é desse número, não da mediana estadual, que sai a conta do alqueire para uma cidade específica.

Seis coisas que mudam o preço mais que o tamanho

Duas áreas do mesmo tamanho, no mesmo município, podem valer o dobro uma da outra. O que separa as duas quase nunca é a metragem.

  1. Aptidão do solo. Terra de lavoura mecanizável vale mais que terra de pastagem, e terra de pastagem vale mais que terra de encosta. A mesma matrícula pode conter os três tipos, e o preço médio esconde isso.
  2. Água. Nascente própria, açude, rio de divisa ou poço regularizado mudam a conta inteira, porque mudam o que a área pode produzir em ano seco.
  3. Acesso. Distância até o asfalto e condição da estrada em fevereiro, não em julho. Estrada que atola na chuva é custo de frete todo ano.
  4. Declividade e pedra. Determinam se entra máquina. Área sem mecanização tem outro mercado e outro preço.
  5. Reserva legal e APP. Quanto da área é produtiva de fato. Um imóvel com reserva a averbar tem passivo embutido, e o comprador é quem herda.
  6. Documentação. Matrícula, CCIR, ITR, CAR e georreferenciamento em dia. Imóvel com pendência não é mais barato: é mais caro, porque alguém vai pagar para resolver.

A ordem dessa lista importa. Os cinco primeiros itens mudam o valor da terra; o sexto muda se a terra pode ser vendida. Um comprador experiente olha o sexto primeiro. Cada um deles está explicado em regularização de imóvel rural.

O erro de conta que aparece toda semana

Há uma armadilha aritmética no meio do caminho, e ela custa caro porque parece bobagem. Quando alguém diz "dez alqueires", a área muda de 24,2 para 96,8 hectares conforme a região — quatro vezes. Mas o preço por alqueire raramente muda na mesma proporção, porque quem anuncia costuma pensar no alqueire da própria terra e no preço do mercado que conhece. O resultado é que a mesma frase, dita em Minas e lida em São Paulo, descreve dois negócios completamente diferentes.

Existe ainda um segundo degrau, mais silencioso. A matrícula quase sempre registra a área em hectares e ares, ou em metros quadrados, mesmo quando a negociação inteira aconteceu em alqueires. Se a conversa e o documento discordam, quem manda é o documento — e quem descobre isso na hora da escritura descobre tarde. A regra prática é simples: peça a matrícula atualizada antes de discutir valor, leia a área que está escrita nela e faça a sua conta só a partir dali. Toda proposta que você fizer depois disso estará falando da mesma terra que o cartório vai transferir.

Vale conferir também se a área da matrícula bate com a área medida em campo. Divergência entre documento e realidade é comum em imóvel antigo, e é justamente o que o georreferenciamento resolve quando amarra os limites a coordenadas oficiais. Enquanto a diferença existir, o comprador está pagando por hectares cuja existência ninguém confirmou.

Alqueire, hectare e as outras medidas que aparecem na matrícula

Matrícula antiga costuma trazer medida que ninguém mais usa no dia a dia. Braça quadrada, litro de terra, colônia, tarefa e gleba aparecem em documentos do Sul e do Nordeste com frequência maior do que se imagina, e cada uma tem conversão própria. Quando o documento fala uma língua e o vendedor fala outra, a área que muda de dono não é a mesma que está escrita. O glossário rural traz cada termo com o equivalente em metros quadrados.

Duas dúvidas aparecem com frequência e têm resposta curta. A colônia de terra, comum no Sul, não tem equivalência única em hectares: o tamanho varia conforme a região de colonização, e quem diz a área da sua é a matrícula. E a abreviação usual de alqueire em anúncio e tabela é "alq." — que também não diz qual dos quatro alqueires está na conversa.

Como se descobre o valor de uma área específica

Referência de estado responde "está na faixa?". Não responde "quanto vale esta terra?". Para a segunda pergunta existe método, e ele tem norma: a ABNT NBR 14653-3 descreve como se avalia imóvel rural. O laudo compara a área com negócios de terras semelhantes na mesma região, ajusta pelas diferenças de solo, água, acesso e benfeitoria, e chega a um valor defensável — que é o que vale numa partilha, num financiamento ou numa discussão judicial.

E se a compra depende de crédito, o laudo é só metade do caminho: veja quem financia imóvel rural e o que o banco pede antes de analisar.

É a diferença entre um número que alguém pediu e um número que alguém consegue sustentar. Quem precisa do segundo encontra o caminho em quanto vale meu imóvel rural.

Onde a Agrotec entra

A Agrotec é uma imobiliária rural de Chapecó (SC), CRECI 11054-J, e atende os 27 estados brasileiros. Boa parte do que ela negocia chega a um comprador antes de virar anúncio, porque o proprietário pede discrição — e é justamente por isso que quem procura terra ganha em dizer o que quer antes de sair procurando sozinho. Quando você diz região, tamanho e uso, a busca passa a acontecer também fora do que está publicado. Áreas semelhantes às deste texto aparecem em terreno rural à venda no Brasil.