De onde vem este número: a Epagri mede Santa Catarina município a município, todo ano
O preço desta página vem do levantamento anual de preços de terras agrícolas da Epagri/Cepa, o serviço de pesquisa agropecuária do Governo de Santa Catarina, publicado no InfoAgro. É um dos três únicos levantamentos estaduais de preço de terra do Brasil — os outros são o Deral, no Paraná, e o IEA, em São Paulo — e é o mais fino dos três em cobertura: os 295 municípios do estado, todo ano, desde 2009, com divulgação em abril. A série que esta página usa tem 17 anos, de 2009 a 2025, e a referência da fonte é de 14/04/2026.
Em cada município e em cada classe de terra, a Epagri publica três valores em reais por hectare: o mínimo observado, o preço mais comum e o máximo observado. O número grande desta página é sempre o mais comum; o mínimo e o máximo aparecem colados a ele, porque é a distância entre os dois que diz se aquele município tem um mercado apertado ou espalhado.
E aqui está a coisa mais importante desta página inteira: o "preço mais comum" é preço declarado por informante da rede da Epagri, apurado junto a informantes qualificados — não é escritura registrada em cartório. Nenhum dos três levantamentos estaduais brasileiros mede escritura; todos são declaratórios. Na prática isso significa que o número descreve o que o mercado local diz que a terra vale, não o que foi pago e registrado. É a melhor referência pública que existe para Santa Catarina, e continua sendo uma referência declarada.
Os valores são de terra nua: só o solo e a cobertura natural dele. Ficam de fora casa, galpão, aviário, pocilga, silo, cerca, lavoura, pastagem cultivada e floresta plantada. É assim que o mercado rural brasileiro negocia — cota-se o hectare limpo e precifica-se a benfeitoria à parte.
E são valores correntes, em reais de cada ano, sem correção pela inflação — a ressalva é da própria fonte. Comparar dois municípios do mesmo ano é limpo. Comparar 2009 com 2025 mistura alta real com inflação, e é por isso que a ficha de cada município traz o valor corrigido rotulado ao lado do corrente, nunca no lugar dele.
Tabela de preços de terras da Epagri: quanto vale o hectare em Santa Catarina
A Tabela de Preços de Terra Agrícola da Epagri/Cepa é o levantamento anual que mede o preço do hectare nos 295 municípios de Santa Catarina, em 7 classes de terra, desde 2009 — e tem um peso que nenhuma outra referência de preço tem no estado: o Regulamento do ITCMD de Santa Catarina manda usar essa tabela, textualmente. Quem faz inventário, partilha ou doação de imóvel rural no estado encontra este número do outro lado do balcão, e é a única razão pela qual conhecê-lo antes muda uma conversa.
Na coleta de 2025, a mediana catarinense da terra de primeira é de R$ 80.000 por hectare, entre 265 municípios medidos. O valor do seu município e da sua classe, com o mínimo, o mais comum e o máximo observados, está no mapa acima e na tabela dos 295 municípios. A tabela é da Epagri; a leitura é nossa, e a restrição de uso da fonte vale para as duas: ela não serve para balizar negócio nem arbitragem, serve para saber de onde vem o número que o Estado usa.
Por que aparecem números diferentes para o hectare em Santa Catarina
Quatro números circulam para o hectare catarinense, e os quatro podem estar certos ao mesmo tempo: são recortes diferentes da mesma tabela, ou fontes diferentes. R$ 80.000 é a mediana do preço mais comum da terra de primeira na coleta de 2025, entre 265 municípios — é o número que melhor descreve "o hectare em Santa Catarina", e por isso abre esta página. R$ 495.000 é o maior preço mais comum do estado, em Antônio Carlos — o número que responde "qual é o hectare mais caro de Santa Catarina". R$ 1.000.000 é o maior valor máximo observado em toda a tabela de 2025, terra de primeira em Itajaí: é o teto que a fonte registrou, não o preço típico de lugar nenhum. E R$ 79.243 é o valor da terra nua agrícola de Santa Catarina no Atlas do Mercado de Terras do INCRA, com referência de dezembro de 2024: outra fonte, outro método (245 mercados regionais para o país inteiro, não 295 municípios) e outra data — comparável com os outros estados na página nacional, não com uma linha desta tabela. Um valor acima de R$ 1.000.000 por hectare de terra agrícola em Santa Catarina não vem da Epagri: é preço pedido em anúncio, área com benfeitorias ou lote que o mercado já trata como urbano.
As 7 classes de terra, e por que a sua área não é "terra": é uma delas
A Epagri não publica um preço por município. Publica um preço por classe de terra dentro de cada município, e são 7. A diferença entre elas não é detalhe técnico: no mesmo município, no mesmo ano, a terra de primeira vale na mediana 2,86 vezes a terra de terceira — medido nos 233 municípios que tiveram as duas classes levantadas em 2025. Perguntar "quanto vale o hectare aqui" sem dizer a classe é perguntar metade da pergunta.
Terra de primeira — mecanizável e de boa fertilidade. É a classe de referência do mercado e a mais levantada: 289 municípios têm dado dela em algum ano, 265 na coleta de 2025.
Terra de segunda — mecanizável de baixa fertilidade, ou fértil, mas com mecanização difícil. Uma das duas condições falha, não as duas: 289 municípios têm dado dela em algum ano, 263 na coleta de 2025.
Terra de terceira (alta declividade) — topografia acidentada, imprópria para lavoura temporária. É a encosta: serve para pastagem, fruticultura, floresta, mas não entra colheitadeira: 288 municípios têm dado dela em algum ano, 238 na coleta de 2025.
Terra de várzea sistematizada — várzea já preparada para produção irrigada, com nivelamento e estrutura de água feitos. É a terra do arroz irrigado, e por isso só existe onde essa lavoura existe: 88 municípios têm dado dela em algum ano, 62 na coleta de 2025.
Terra de várzea não sistematizada — a várzea antes do investimento: 99 municípios têm dado dela em algum ano, e nenhum na coleta de 2025: a última medição desta classe em Santa Catarina foi em 2020.
Terra de campo nativo — campo de pastagem natural, sem cultivo. É classe de planalto e de pecuária extensiva, rara no oeste: 68 municípios têm dado dela em algum ano, 24 na coleta de 2025.
Terra para servidão florestal (reserva legal) — área destinada a cumprir reserva legal, própria ou de terceiro. Vale menos porque não pode ser produzida, e existe como classe justamente porque tem mercado próprio: quem está em déficit de reserva compra ou arrenda a de quem tem sobra: 284 municípios têm dado dela em algum ano, 208 na coleta de 2025.
Resumo honesto da cobertura: das 7 classes, 6 tiveram alguma medição em 2025. As três primeiras cobrem quase todo o estado; as outras existem onde a atividade existe, e onde não existem a página deixa vazio em vez de preencher.
O que muda o preço de uma área — e o que a tabela não vê
1. Onde fica — e a diferença é enorme. Na terra de primeira de 2025, o preço mais comum vai de R$ 29.333 por hectare em Timbó Grande a R$ 495.000 em Antônio Carlos: quase 17 vezes, dentro do mesmo estado, no mesmo ano e na mesma classe. A mediana catarinense é de R$ 80.000 por hectare, entre os 265 municípios medidos naquele ano — e essa mediana descreve mal quase todo mundo, o que é exatamente o motivo de existir um mapa em vez de um número.
2. Em que região agro. A Epagri agrupa os municípios em 10 regiões, e a mediana da terra de primeira em 2025 vai de R$ 53.333 por hectare no Planalto Sul a R$ 123.333 na Grande Florianópolis — esta última com apenas 12 municípios medidos, o que a torna a região onde a mediana menos representa o conjunto. No Oeste, a mediana é de R$ 102.917 por hectare entre os 40 municípios medidos. Quem compra no oeste catarinense compara com o Oeste, não com o litoral, e é por isso que a ficha de cada município compara com a região antes de comparar com o estado. Seis municípios do oeste catarinense já têm página própria na Agrotec, com o bloco da Epagri dentro dela: o mercado rural de Xanxerê, imóveis rurais em Xaxim, a região de Concórdia, Palmitos e o Alto Uruguai, Cordilheira Alta, no entorno de Chapecó e o planalto de Abelardo Luz.
3. Qual classe. As 2,86 vezes entre primeira e terceira, medidas acima. É a variável que o proprietário mais subestima, porque ele olha a propriedade inteira e o mercado olha o pedaço que dá para mecanizar.
4. Qual pedaço, dentro do mesmo município e da mesma classe. Este é o dado que quase ninguém publica e que a Epagri publica: a mediana da razão entre o máximo e o mínimo observados, na terra de primeira de 2025, é 2,02 — em 262 municípios com as duas pontas medidas. Ou seja, no município mediano de Santa Catarina a melhor área de terra de primeira vale o dobro da pior área de terra de primeira. Acesso, água, frente para estrada asfaltada, distância do armazém, formato do talhão e vizinhança produtiva explicam essa distância — e nenhuma delas cabe numa tabela.
E há o que a tabela não vê, que costuma decidir o negócio. Matrícula não individualizada, divisa de fato diferente da registrada, herdeiro que nunca formalizou, poligonal não certificada junto ao INCRA na forma da Lei 10.267/2001, reserva legal em déficit, área encravada sem servidão de passagem. Nenhuma dessas entra no preço mais comum da Epagri, e todas entram no preço que o comprador realmente paga. É a diferença entre uma referência de mercado e uma avaliação — e a avaliação de uma área específica se faz pela ABNT NBR 14653-3, a norma brasileira de avaliação de imóveis rurais.
Como ler estes números sem errar
A alta de 2024 para 2025 não é uma manchete, e esta página não a trata como uma. Entre os 977 pares de município e classe que têm os dois anos medidos, a variação do preço mais comum tem mediana de +10,0% — e média de +23,8%. A distância entre as duas já denuncia o problema: 252 pares caíram, 182 subiram mais de 50% e 64 dobraram de preço em um ano. Salto desse tamanho em doze meses não é mercado: é a rede de informantes daquele município mudando de composição. O dado não permite separar uma coisa da outra, então a página mostra a variação onde ela existe, sempre colada ao par de anos e à classe, e não elege nenhum número de variação anual como destaque. A mediana resiste; a média, não.
Zero na planilha é ausência, nunca preço. A base traz uma linha por município, classe e ano mesmo quando ninguém mediu, e o não-medido chega como zero: são 12.989 linhas zeradas nas 30.993 lidas, mais 39.170 valores ausentes espalhados. Terra a R$ 0,00 por hectare não existe. Cada valor é testado sozinho antes de entrar aqui, e o que não sobrevive vira vazio. Por isso a curva de um município tem trechos interrompidos em vez de despencar até o eixo, e por isso o mapa pinta de cinza quem não foi medido naquele ano — cinza não é terra barata, é ausência de leitura.
Nem todo município tem série inteira. Dos 295, 124 têm medição em todos os 17 anos, 165 têm pelo menos um ano sem nenhuma medição, e 6 nunca foram medidos em classe nenhuma, em ano nenhum. Onde falta ano, a ficha do município escreve quais faltam e calcula a valorização da primeira à última medição daquele município naquela classe, com os dois anos escritos. Nada de "desde 2009" onde não há 2009.
Nada aqui é projeção. Todo número é passado medido. Esta página não estima quanto a terra vai valer, não recomenda comprar nem vender, e não indica região.
Para que esta página não serve
Não serve para avaliar uma propriedade específica, e não é opinião nossa: a metodologia da própria Epagri determina que estes preços não servem para balizar negócios com terras nem para referenciar arbitragens. A restrição está escrita pela fonte e viaja dentro do arquivo de dados que gera esta página, para que nenhuma parte dela a perca no caminho.
O que a Epagri proíbe é apresentar a tabela como base de negociação. O que ela permite, e é o que esta página faz, é dizer quanto custou o hectare, onde, quando, em que classe e segundo quem. A conta do seu caso fica para quem for medir a sua área. Quem precisa do valor de uma área específica precisa de laudo pela norma técnica, não de tabela — e é um dos serviços que a Agrotec faz por uma propriedade rural. Para comparar Santa Catarina com o resto do país, o preço do hectare nos 27 estados está em página própria; para converter a conta para a unidade do Sudeste, o alqueire e o hectare têm a tabela dos quatro alqueires do Brasil; e quem já saiu do preço por hectare para a propriedade inteira encontra sítios à venda em Santa Catarina do outro lado.