Como ler estes números sem errar
Terra nua não é o preço da fazenda
Todo valor desta página é de terra nua: só o solo e a cobertura natural dele. Ficam de fora casa, galpão, cerca, aviário, silo, lavoura, pastagem cultivada e floresta plantada. É assim que a Instrução Normativa 116/2022 do INCRA define o Valor da Terra Nua, e é assim que o mercado rural brasileiro negocia — cota-se o hectare limpo e precifica-se a benfeitoria à parte. Uma propriedade com estrutura produtiva vale mais que a conta de hectare vezes preço; uma área encravada ou sem acesso vale menos. Quem precisa do valor de uma área específica precisa de laudo pela norma técnica, não de tabela.
A unidade de medida do INCRA não é o município
O INCRA agrupa municípios vizinhos em Mercados Regionais de Terras: são 245 mercados para 5.571 municípios, cerca de vinte e três municípios por mercado. Todo município do mesmo mercado recebe o mesmo valor. Por isso duas cidades coladas aparecem com o número idêntico, e por isso o dado federal situa a conversa, mas não descreve a sua linha. Onde existe pesquisa estadual, ela mede município a município e é melhor.
Nem toda alta é valorização
Quando um mercado regional não é pesquisado no ano base, o INCRA atualiza o valor anterior por um índice publicado, que varia por tipo de uso: 12% para terra agrícola, 17,92% para floresta plantada, 28,36% para exploração mista e vegetação nativa, 31,24% para pecuária. De cada 4.141 municípios com leitura nos dois anos, 2.308 entraram em 2024 por esse caminho — 56% do total. Um estado inteiro pode aparecer com alta sem que ninguém tenha ido a campo. Publicar reajuste de tabela como valorização seria enganar quem está decidindo vender, então o mapa só pinta a variação dos municípios que foram mesmo remedidos, e marca com hachura o estado em que a maior parte veio de índice.
Onde não houve medição, a página não mostra número
Em 7 dos 27 estados nenhum município foi remedido entre 2022 e 2024: Amazonas, Amapá, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, Sergipe, Tocantins. Ali não existe variação medida, e o mapa pinta esses estados com a cor de "sem variação medida" em vez de escolher um tom da escala. É uma cor a mais na legenda e uma pergunta a menos: cinza claro não é preço baixo, é ausência de leitura.
Onde o dado estadual é melhor que o federal
Três estados mantêm pesquisa própria de preço de terra, anual e por município: Santa Catarina pela Epagri/Cepa, Paraná pelo Deral/SEAB e São Paulo pelo IEA. Este site publica as duas primeiras, com o mesmo desenho: o preço da terra em Santa Catarina, nos 295 municípios, com a coleta de 2025 da Epagri, e o preço da terra no Paraná, nos 399 municípios, com a coleta de 2026 da Deral — as duas mais novas que o dado federal deste mapa. Quem procura área no oeste catarinense tem ainda a região cidade por cidade. E o que essa série diz da terra ao longo do tempo? O placar de 17 anos contra CDI, poupança e bolsa está em página própria.
Por que o número do INCRA não bate com o da Epagri ou da Deral
Para o mesmo estado, o dado federal e o estadual dão números diferentes, e os dois estão certos: medem coisas diferentes. Em Santa Catarina, o INCRA publica R$ 79.243 por hectare (mediana dos municípios, terra nua agrícola, dezembro de 2024) e a Epagri/Cepa, R$ 80.000 (mediana do preço mais comum da terra de primeira, coleta de 2025, 265 municípios). No Paraná, o INCRA publica R$ 100.436 e a Deral/SEAB, R$ 86.100 (mediana do preço médio da classe A-III, coleta de 2026, 395 municípios). As diferenças vêm de três lugares: a data (o federal é de dezembro de 2024, os estaduais são mais novos), a unidade (o INCRA atribui um valor por mercado regional — 245 para o país — e os estaduais medem cada município) e a classe (o federal fala de "terra agrícola" em geral; os estaduais separam terra de primeira, A-III e as demais). Para comparar estados entre si, use este mapa; para saber o preço de uma cidade, use a página do estado. Misturar os dois numa conta só produz um número que nenhuma fonte publicou.
Para que esta página não serve
Não serve para avaliar uma propriedade específica. Nem o INCRA nem os levantamentos estaduais foram feitos para isso, e a Epagri diz textualmente na metodologia dela que não está entre os objetivos "informar preços de terras para balizar negócios com terras ou referenciar arbitragens". Nenhuma das fontes mede escritura registrada em cartório: as três estaduais são declaratórias, apuradas junto a informantes qualificados. O que esta página faz é dizer quanto custou o hectare, onde, quando e segundo quem — e deixar a conta do seu caso para quem for medir a sua área.
Sabendo a faixa, a pergunta seguinte costuma ser o dinheiro: existe financiamento para imóvel rural, e ele não funciona como o de casa urbana.