De onde vem este número: a Deral mede o Paraná município a município, todo ano
O preço desta página vem do levantamento anual de preços de terras do Departamento de Economia Rural — Deral/SEAB, o serviço de economia rural da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná. É um dos três únicos levantamentos estaduais de preço de terra do Brasil — os outros são o da Epagri, em Santa Catarina, e o do IEA, em São Paulo — e a série que esta página usa tem 10 anos, de 2017 a 2026: a metodologia atual da Deral começou em 2017, e a publicação anterior, de 1998 a 2016, seguia outro critério, que não se mistura com esta. A coleta é feita em março, a divulgação sai até o fim de abril, e a referência da fonte é de abril/2026 (levantamento 2026).
Em cada município e em cada classe de aptidão, a Deral publica um valor em reais por hectare: a média de preços de mercado — a média dos negócios realizados e das intenções de compra apuradas junto à rede de informantes. A fonte não publica mínimo nem máximo, e esta página não inventa as pontas: onde a página de Santa Catarina mostra três números, aqui há um — e a faixa que ele não mostra é dita em texto, com a ressalva da própria Deral.
A natureza do número importa: é preço médio apurado junto a informantes, não escritura registrada em cartório. Nenhum dos três levantamentos estaduais brasileiros mede escritura; todos são declaratórios. Na prática, o número descreve o que o mercado local diz que a terra vale, não o que foi pago e registrado. É a melhor referência pública que existe para o Paraná, e continua sendo uma referência declarada.
Os valores vêm com benfeitorias descontadas: casa, galpão, silo, cerca, lavoura e floresta plantada não entram na conta. É assim que o mercado rural brasileiro negocia — cota-se o hectare limpo e precifica-se a benfeitoria à parte.
E são valores correntes, em reais de cada ano, sem correção pela inflação. Comparar dois municípios do mesmo ano é limpo. Comparar 2017 com 2026 mistura alta real com inflação, e é por isso que a ficha de cada município traz o valor corrigido rotulado ao lado do corrente, nunca no lugar dele.
Tabela de preços de terras da Deral: quanto vale o hectare no Paraná
A Tabela de Preços de Terras do Deral/SEAB é o levantamento anual que mede o preço do hectare nos 399 municípios do Paraná, em 7 classes de aptidão, desde 2017. Na coleta de 2026, a mediana paranaense da classe A-III — a típica do estado, medida em 395 dos 399 municípios — é de R$ 86.100 por hectare, R$ 208.362 por alqueire paulista. Nas 151 cidades onde a classe A-I existe, a mediana sobe para R$ 151.600, e o maior preço médio de todo o levantamento é o de Maringá, R$ 181.300 por hectare. O valor do seu município e da sua classe está no mapa acima e na tabela dos 399 municípios, em hectare e em alqueire. A tabela é da Deral; a leitura é nossa.
Duas tabelas do Paraná não são esta tabela. A Tabela SIPT, pública desde 2025, é derivada desta com aplicação de redutor e serve à Receita Federal — outra tabela, outra finalidade. E o valor da terra nua no ITR é autodeclaratório: o contribuinte o informa no documento de arrecadação, ele não sai desta tabela.
Por que aparecem números diferentes para o hectare no Paraná
Quatro números circulam para o hectare paranaense, e os quatro podem estar certos ao mesmo tempo: descrevem recortes diferentes da mesma tabela, ou fontes diferentes. R$ 86.100 é a mediana da classe A-III na coleta de 2026, a classe medida em 395 dos 399 municípios — é o número que melhor descreve "o hectare no Paraná", e por isso abre esta página. R$ 151.600 é a mediana da A-I, a terra plana de lavoura, que só existe em 151 municípios. R$ 181.300 é o maior preço médio de todo o levantamento de 2026, classe A-I em Maringá — é o número que responde "qual é o hectare mais caro do Paraná"; na classe típica, o topo é R$ 118.200, em Arapongas e Sabáudia. E R$ 100.436 é o valor da terra nua agrícola do Paraná no Atlas do Mercado de Terras do INCRA, com referência de dezembro de 2024: outra fonte, outro método (245 mercados regionais para o país inteiro, não 399 municípios) e outra data — comparável com os outros estados na página nacional, não com uma linha desta tabela. Um valor acima de R$ 181.300 por hectare de terra agrícola no Paraná não vem da Deral: é preço pedido em anúncio, área com benfeitorias ou outra unidade — um alqueire paulista de A-I em Maringá daria R$ 438.746.
As 7 classes de aptidão, e por que a sua área não é "terra": é uma delas
A Deral não publica um preço por município. Publica um preço por classe de aptidão de uso dentro de cada município, e são 7. A diferença entre elas não é detalhe técnico: no mesmo município, no mesmo ano, a A-I vale na mediana 8,25 vezes a C-VIII — medido nos 151 municípios que tiveram as duas classes levantadas em 2026. Perguntar "quanto vale o hectare aqui" sem dizer a classe é perguntar metade da pergunta.
A-I — agrícola intensiva: apta para lavoura anual com o pacote tecnológico completo. É o teto do mercado paranaense — onde ela existe, o preço é o maior do estado: 151 municípios têm dado dela em algum ano, 151 na coleta de 2026.
A-II — agrícola, com restrição moderada: produz com práticas simples de conservação de solo: 349 municípios têm dado dela em algum ano, 314 na coleta de 2026.
A-III — agrícola, com restrição forte: exige conservação complexa e manejo cuidadoso para sustentar a lavoura. É a classe típica do Paraná e a âncora desta página: 399 municípios têm dado dela em algum ano, 395 na coleta de 2026.
A-IV — agrícola no limite da aptidão: só com práticas intensivas de conservação, e muitas vezes mais racional em cultura perene ou pastagem: 399 municípios têm dado dela em algum ano, 396 na coleta de 2026.
B-VI — silvipastoril: não sustenta lavoura anual intensiva; serve para pastagem cultivada, reflorestamento ou culturas perenes: 399 municípios têm dado dela em algum ano, 395 na coleta de 2026.
B-VII — silvipastoril com restrição maior: pastagem, floresta plantada ou culturas perenes adaptadas: 386 municípios têm dado dela em algum ano, 380 na coleta de 2026.
C-VIII — servidão florestal: apta só para vegetação natural ou plantada. Vale menos porque não pode ser produzida, e existe como classe porque tem mercado próprio: quem precisa de reserva legal compra ou arrenda a de quem tem sobra: 399 municípios têm dado dela em algum ano, 396 na coleta de 2026.
Resumo honesto da cobertura: das 7 classes, 7 tiveram alguma medição em 2026. A-III e A-IV cobrem quase todo o estado; a A-I só existe onde a terra plana existe, e as demais existem onde a atividade existe — onde não existem, a página deixa vazio em vez de preencher.
O que muda o preço de uma área — e o que a tabela não vê
1. Onde fica — e a diferença é enorme. Na classe A-III de 2026, o preço médio vai de R$ 44.200 por hectare em Tunas do Paraná a R$ 118.200 em Arapongas e Sabáudia: 3 vezes, dentro do mesmo estado, no mesmo ano e na mesma classe. A mediana paranaense é de R$ 86.100 por hectare, entre os 395 municípios medidos naquele ano — e essa mediana descreve mal quase todo mundo, o que é exatamente o motivo de existir um mapa em vez de um número.
2. Em que mesorregião. A Deral não agrupa os municípios em regiões, então esta página usa as 10 mesorregiões do IBGE: a mediana da A-I em 2026 vai de R$ 57.200 por hectare na mesorregião Metropolitana de Curitiba a R$ 104.800 na mesorregião Sudoeste Paranaense — esta última com 37 municípios medidos. Quem compra no oeste paranaense compara com o Oeste, não com a região de Curitiba, e é por isso que a ficha de cada município compara com a mesorregião antes de comparar com o estado.
3. Qual classe. As 8,25 vezes entre A-I e C-VIII, medidas acima. É a variável que o proprietário mais subestima, porque ele olha a propriedade inteira e o mercado olha o pedaço que dá para produzir.
4. Qual pedaço, dentro do mesmo município e da mesma classe. Aqui a tabela do Paraná é mais econômica que a de Santa Catarina: ela publica a média e não publica as pontas. O que ela diz, na ressalva da própria Deral, é que a média não deve ser usada como valor absoluto, máximo ou mínimo — dentro do mesmo município e da mesma classe, duas áreas se separam por acesso, água, frente para estrada asfaltada, distância do armazém, formato do talhão e vizinhança produtiva, e nenhuma delas cabe numa tabela.
E há o que a tabela não vê, que costuma decidir o negócio. Matrícula não individualizada, divisa de fato diferente da registrada, herdeiro que nunca formalizou, poligonal não certificada junto ao INCRA na forma da Lei 10.267/2001, reserva legal em déficit, área encravada sem servidão de passagem. Nenhuma dessas entra na média da Deral, e todas entram no preço que o comprador realmente paga. É a diferença entre uma referência de mercado e uma avaliação — e a avaliação de uma área específica se faz pela ABNT NBR 14653-3, a norma brasileira de avaliação de imóveis rurais.
Como ler estes números sem errar
A alta de 2025 para 2026 não é uma manchete, e esta página não a trata como uma. Entre os 2425 pares de município e classe que têm os dois anos medidos, a variação do preço médio tem mediana de +0,2% — e média de +1,9%. A distância entre as duas já denuncia o problema: 735 pares caíram, 0 subiram mais de 50% e 0 dobraram de preço em um ano. Salto desse tamanho em doze meses não é mercado: é a rede de informantes daquele município mudando de composição. O dado não permite separar uma coisa da outra, então a página mostra a variação onde ela existe, sempre colada ao par de anos e à classe, e não elege nenhum número de variação anual como destaque. A mediana resiste; a média, não.
Célula vazia é ausência, nunca preço. A planilha oficial traz 3.856 células vazias nas 3.971 linhas lidas — vazio significa não medido, nunca terra barata. Por isso a curva de um município tem trechos interrompidos em vez de despencar até o eixo, e por isso o mapa pinta de cinza quem não foi medido naquele ano — cinza não é terra barata, é ausência de leitura.
Nem todo município tem série inteira. Dos 399, 396 têm medição em todos os 10 anos, 3 têm pelo menos um ano sem nenhuma medição, e 0 nunca foram medidos em classe nenhuma, em ano nenhum. Onde falta ano, a ficha do município escreve quais faltam e calcula a valorização da primeira à última medição daquele município naquela classe, com os dois anos escritos. Nada de "desde 2017" onde não há 2017.
Nada aqui é projeção. Todo número é passado medido. Esta página não estima quanto a terra vai valer, não recomenda comprar nem vender, e não indica região.
Para que esta página não serve
Não serve para avaliar uma propriedade específica, e não é opinião nossa: a própria Deral ressalva que estas médias não devem ser usadas como valor absoluto, máximo ou mínimo. A ressalva está escrita pela fonte e viaja dentro do arquivo de dados que gera esta página, para que nenhuma parte dela a perca no caminho.
O que esta página faz é dizer quanto custou o hectare, onde, quando, em que classe e segundo quem. A conta do seu caso fica para quem for medir a sua área. Quem precisa do valor de uma área específica precisa de laudo pela norma técnica, não de tabela — e é um dos serviços que a Agrotec faz por uma propriedade rural. Para comparar o Paraná com o resto do país, o preço do hectare nos 27 estados está em página própria; para a unidade da conversa daqui, o alqueire e o hectare têm a tabela dos quatro alqueires do Brasil; e a página irmã, com o mesmo desenho, mostra o preço da terra em Santa Catarina do outro lado da divisa.